Ervas medicinais: Saiba o que são e para que servem

O uso de ervas medicinais para manter a saúde em dia tem ganhado bastante adeptos nos últimos tempos, principalmente depois que vários estudos acerca desses poderosos alimentos comprovaram a sua eficácia e efeito “milagroso” no organismo humano.

No entanto, a arte de recorrer aos recursos naturais da nossa flora não vem de agora. Desde que a humanidade existe, as pessoas recorrem às plantas para tratar e prevenir os males que acometem o nosso corpo, sejam eles físicos ou mentais. Há quem acredite, inclusive, nos poderes espirituais que alguns desses espécimes da natureza podem trazer à vida.

Há registros de que as plantas medicinais eram utilizadas desde os remotos períodos que antecederam o Cristianismo, sendo a sua utilização mais antiga datada de 3.700 a.C., em um documento escrito pelo imperador chinês Shen Wung. Outro registro importante neste sentido data de 1.500 a.C., quando os egípcios usavam as ervas medicinais não só para fins medicinais, como também na alimentação e nas suas técnicas de embalsamar os mortos.

Já no Brasil, felizmente um dos países mais ricos em biodiversidade do planeta, as plantas terapêuticas tiveram seus benefícios difundidos pela cultura indígena. Grandes conhecedores da flora, os índios conseguiram passar de geração para geração os seus conhecimentos em torno das ervas medicinais. Afinal, a Amazônia, lar da maioria das etnias indígenas, possui cerca de 50% de toda a biodiversidade da flora medicinal do mundo.

Atualmente, graças aos indígenas, cerca de 25% dos medicamentos que nós utilizamos e que estão disponíveis nas farmácias são de origem vegetal, ou seja, fabricados a partir da flora medicinal. Essa é a maior prova de que, se antes as ervas com fins terapêuticos eram consideradas somente uma crença popular ou instrumentos de magia, hoje muitas delas têm seus benefícios à saúde e à mente comprovados cientificamente.

Para que servem as ervas medicinais?

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As ervas medicinais estão inclusas em uma variedade enorme dentro da flora brasileira e mundial. Cada uma possui uma função diferente no organismo humano e inúmeras formas de serem utilizadas.

É por isso que, mesmo sendo tão benéficas à saúde, o uso dessas plantas requer muito cuidado, uma vez que a sua utilização indevida pode causar intoxicação e efeitos colaterais indesejados. Isso porque a maioria desses espécimes costuma produzir substâncias tóxicas e venenosas para se defender na natureza de predadores e que, ao serem consumidas, podem ocasionar sérios danos ao organismo.

Portanto, é de extrema importância que se conheça bem as suas propriedades medicinais, de que maneira usufruir dos seus benefícios e quais tipos de males está se buscando tratar ou prevenir.

Neste sentido, aquele velho ditado popular que diz “Se fizer bem, mal não fará” ou, ainda, “Tudo que é natural não faz mal” de forma alguma se aplica ao uso de ervas medicinais, uma vez que até mesmo esses poderosos componentes que são dados pela natureza podem comprometer a saúde se forem utilizados de maneira inadequada.

Dentre os principais benefícios oferecidos pelas plantas medicinais estão o seu poder de tratar e prevenir doenças, desde as mais leves, como uma gripe ou resfriado, até algumas mais graves, como hipertensão e até o câncer. Isso porque elas possuem diversas propriedades que ajudam na manutenção do organismo, favorecendo a melhora da saúde.

Neste artigo, você vai conhecer algumas das principais espécies utilizadas no Brasil para fins terapêuticos.

Propriedades medicinais das plantas

Dentre os principais efeitos benéficos que as ervas medicinais trazem para o nosso corpo estão:

  • Anti-catarral: Que evita a formação de catarro;
  • Anti-espasmódico: Que previne ou trata as contrações musculares dolorosas;
  • Anti-flatulento: Que combate os gases intestinais;
  • Anti-reumático: Que trata o reumatismo;
  • Anti-tussígeno: Que evita a tosse;
  • Diurético: Que ajuda na eliminação de líquidos pelos rins;
  • Emético: Que provoca vômitos;
  • Expectorante: Que auxilia na eliminação da mucosidade pelo aparelho respiratório;
  • Hemostático: Que ajuda a estancar hemorragias;
  • Obstipante: Que ajuda a prender os intestinos.

Como utilizá-las para obter os seus benefícios?

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As ervas medicinais podem ser usadas de diferentes formas para tratar e prevenir males à saúde. No entanto, como dissemos acima, é preciso entender quais são as suas propriedades e que mal está querendo tratar ou prevenir antes de consumir qualquer uma delas.

Sabendo disso, o próximo passo é saber como prepará-las para obter, de fato, os seus efeitos benéficos. Veja, a seguir, as principais formas de utilizar ervas medicinais para melhorar a saúde do organismo:

Cataplasma: Utiliza-se a planta como uma pomada, ou seja, de uso tópico.

Decocção: É usada a partir da fervura para dissolução das substâncias com ação prolongada de água ou calor.

Inalação: Através de uma combinação de vapor de água com substâncias voláteis de ervas aromáticas.

Infusão: Trata-se do modo original de se preparar os chás.

Maceração: Coloca-se a erva em contato com o álcool, óleo, água ou outro líquido para dissolver o princípio ativo.

Sumos ou sucos: A erva é espremida em um pano ou triturada em um liquidificador ou pilão, podendo ser adicionada água ou não.

Vinhos medicinais: A erva é preparada para dissolver as suas substâncias vegetais em vinho puro.

Porções: A erva é misturada em soluções com xaropes, tinturas, extratos ou outros ingredientes.

Torrefação: Usa-se o fogo para retirar a água e modificar algumas propriedades da erva.

Unguento e pomadas: São feitos a partir da mistura do chá, tintura ou suco da erva medicinal com vaselina ou lanolina.

Xarope: A erva é dissolvida em açúcar e água aquecidos a fim de obter-se o ponto de fio.

Benefícios das ervas medicinais de A a Z

Seguindo uma ordem alfabética, nós vamos te mostrar abaixo algumas das variedades de plantas mais usadas para fins medicinais no país e para que serve cada uma delas. Veja:

Abacate: Possui propriedades vermífugas e anti-hemorrágicas, sendo usado como tonificante para a raiz capilar e em forma de chá para tratar problemas renais.

Abóbora (jerimum): Possui propriedades vermífugas, sendo usada para tratar teaníase (tênia) e verminoses.

Agrião: Possui propriedades anti-anêmicas e digestivas, sendo ideal também para tratar infecções nas vias respiratórias.

Alfavaca: Possui propriedades anti-gripais, hipotensora e diurética, sendo usada bastante para tratar blenorragia.

Alho roxo: Trata cólicas, dores de dente, flatulência, prisão de ventre e asma.

Andiroba: É usado tanto como repelente de insetos como para tratar bursites e nevralgias.

Arnica (rabo de rojão ou erva lanceta): É usada para tratar contusões ou pancadas (hematomas).

Babosa: É usada tanto como shampoo anti-caspa como para conter a queda de cabelo, lavar feridas, tratar úlceras, hemorróidas e eczemas.

Boldo: Possui propriedades digestivas e anti-tóxicas, sendo usada para tratar febres intermitentes e prisão de ventre.

Camomila: Possui propriedades anti-espasmódicas, digestivas e anti-nevrálgicas, sendo usada para tratar inflamações na garganta e urticárias.

Cabacinha: Ajuda no combate sinusite é o seu chá é considerado abortivo.

Capim-santo: Possui propriedades tranqüilizantes, sendo muito utilizado no combate à diarréias e hipertensão.

Carrapicho: Ajuda a combater diarréias e problemas renais;

Cidreira: Possui propriedades calmantes, ajudando nas dores de estômago e combate à diarréias;

Eucalipto: Auxilia no combate à sinusite, bronquite e febre.

Erva-doce: Possui propriedades tranqüilizantes, anti-espasmódicas, diuréticas e afrodisíacas.

Fava: O banho com a infusão da erva serve para tratar o impetigo.

Goiaba: O chá de brotos novos serve para tratar as diarréias.

Graviola: É usada no combate à diabetes.

Hortelã: Possui propriedades anti-espasmódicas, sendo muito usada para combater  enxaquecas e vômitos.

Ipecacunha: Ajuda no combate à úlceras, anginas, sífilis e gripes.

Jabuticaba: Trata afecções na garganta.

Jurubeba: Possui propriedades desintoxicantes, combatendo os males que acometem o fígado.

Louro: Trata nevralgias e reumatismo.

Manjericão: Ajuda na amenização e cura de tosses.

Maracujá: Possui propriedades calmantes, tanto em suas folhas como no fruto.

Mastruço: Possui propriedades anti-inflamatórias e expectorantes, sendo ideal também para amenizar cólicas.

Melancia: Possui propriedades diuréticas, ideal para combater a retenção líquida.

Mulungu: É usada para tratar bronquites, asmas, problemas hepáticos, insônia e febres.

Pau-brasil: Ajuda no combate à diabetes.

Pitanga: Possui propriedades anti-térmicas.

Quebra-pedra: Possui propriedades diuréticas e anti-tóxicas, sendo ideal para tratar cálculos renais.

Romã: Possui propriedades digestivas, anti-espasmódicas e anti-tóxicas.

Unha-de-vaca: Ajuda no combate à diabetes.

Ervas que curam: Indicações

Ervas que curam infográfico

Perguntas frequentes

Ervas medicinais e fitoterápicos são a mesma coisa?

Não. As plantas com fins medicinais são aquelas que possuem substâncias que podem ajudar na prevenção e combate à doenças, mas que nem sempre possuem comprovação científica acerca dos seus benefícios à saúde. Já os produtos fitoterápicos, apesar de serem produzidos a partir de ervas medicinais, possuem aprovação médica, além de passarem por uma rigorosa avaliação de segurança e eficácia de suas substâncias.

Posso usar ervas medicinais junto com medicamentos?

Não. As ervas medicinais nunca devem ser combinadas com nenhum tipo de medicamento prescrito pelo seu médico. Isso porque a interação entre as substâncias pode não dar certo e causar sérios danos ao seu organismo. Portanto, se o seu médico receitou um remédio para tratar a sua enfermidade, qualquer que ela seja, nunca tome-o junto com uma planta medicinal sem consultá-lo previamente.

As ervas medicinais curam mesmo?

Sim. Boa parte das plantas medicinais encontradas na natureza ajudam no combate e prevenção de vários tipos de males à saúde. No entanto, algumas delas ainda estão em fase de estudos e, por isso, não tem seus efeitos 100% comprovados. Por isso, antes de começar um tratamento com qualquer uma delas, consulte um médico especialista antes ou, se for o caso, use-as em doses pequenas, sempre fazendo um teste de sensibilidade na pele para saber como o seu corpo reagirá às substâncias presentes nas plantas.

O uso de ervas medicinais é aprovado pela Anvisa?

Nem todas as espécies de plantas medicinais têm a sua utilização aprovada pela Anvisa. Isso não porque elas não são eficientes, mas sim porque ainda estão em fase de estudos sobre os seus efeitos no organismo. Para saber quais são as ervas aprovadas para uso pela Anvisa, basta acessar o site oficial do órgão.

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