Mandacaru: alimento, decoração e planta medicinal

Espécie da caatinga brasileira, o Mandacaru (Cereus jamacaru) já virou até tema de música. Mas você sabe para que essa cactácea tão adaptada ao clima semiárido serve? Descubra agora mesmo comigo!

Se você não conhece ainda os versos “Mandacaru quando fulora na seca/ É um sinal que a chuva chega no sertão…”, da composição de Zé Dantas e Luiz Gonzaga, saiba que se trata da música “O Xote das Meninas”. Ela fala de uma planta cuja resistência à seca nordestina fez dela um símbolo de força. Além disso, é um exemplo de versatilidade.

Conhecido também como cardeiro, o Mandacaru possui formato parecido com um candelabro e alcança até 6 m de altura. Sua importância vai da ornamentação à recuperação dos solos degradados, passando pela alimentação. Em períodos de estiagem longa, o Mandacaru serve como ração animal – muitas vezes, é o único alimento disponível.

O vegetal consegue sobreviver às duras condições climáticas porque é capaz de captar e armazenar água, graças a uma grossa cutícula que inibe a saída excessiva do líquido. Uma capacidade que não surgiu do dia para a noite, mas foi adquirida em longo processo de adaptação com o passar dos anos.

A planta serve para aliviar a fome e a sede do gado. Já suas sementes e flores alimentam pássaros e insetos. É justamente com ajuda do vento e das aves que o Mandacaru tem suas sementes espalhadas em zonas rurais, e pode crescer.

A flor branca do Mandacaru surge geralmente de novembro a janeiro e desabrocha à noite, murchando ao amanhecer. Por isso, é conhecida como flor-da-noite.

O fruto de sabor doce (e bastante apreciado) apresenta cor violeta ou avermelhada, e polpa branca com pequenas sementes pretas, criando um sutil contraste com o verde dos ramos.

Entre nós, humanos, o Mandacaru pode ser consumido tanto in natura quanto em saladas, sucos e geleias, por exemplo. Para isso, podem ser aproveitados frutos e o cacto propriamente dito.

Entre as propriedades atribuídas ao Mandacaru, estão: estimulante, diurética, cardiotônica e tônica. Por estas e outras ações, flores, polpa dos frutos e caule são popularmente utilizados em xarope para aliviar afecção pulmonar ou na bexiga; retenção da urina e, ainda, para favorecer a saúde cardíaca.

Atenção: este post tem função de informar. Não substitui consulta e tratamentos médicos. Plantas medicinais podem ter contraindicações e interações medicamentosas. Consulte sempre um naturopata ou fitoterapeuta e seu médico antes de começar qualquer tratamento.

Mandacaru: mais curiosidades e usos

Como se não bastassem todos os motivos citados anteriormente para aproveitar o vegetal, ele também é ingrediente na produção de diversos itens cosméticos, para tratar e embelezar cabelos ou pele.

E mais: seus espinhos não são desperdiçados! Eles são usados como agulhas para tecer a tradicional almofada de bilro, um belo trabalho manual típico do Nordeste brasileiro. A indústria ainda recorre às hastes do Mandacaru para confeccionar aeromodelos e embalagens leves. Até seu tronco tem utilidade, servindo de material para fabricação de janelas, portas e telhados.

O Mandacaru é encontrado principalmente em solo nordestino, nas áreas argilosas e em caatingas arbóreas. Porém, está presente em outras localidades, pois é facilmente adaptável a qualquer tipo de solo ou clima.

A origem da palavra Mandacaru é tupi, e quer dizer “árvore ou fruta de espinheiro que se come”. A planta possui vários outros nomes: cacto candelabro, tunam, jamacaru e pytaia arbórea.

A defesa contra animais herbívoros acontece graças à ausência de folhas, fazendo com que a cactácea não produza sombra. Contudo, nada disso impede o Mandacaru de ser usado como planta ornamental, além de ser referência para batismo de nomes de sítios, povoados, bairros e até cidades.

E então, você já utilizou o Mandacaru de alguma forma? Espero que o artigo de hoje possa ajudar você a tirar proveito dessa planta resistente e versátil!

Até breve…

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