Marupazinho: veja propriedades e benefícios desta planta

Seus bulbos em tom de vinho possuem escamas que lembram as das cebolas – e, quando cortados, soltam látex. Estou falando de Marupazinho, uma planta considerada erva daninha, mas que apresenta propriedades medicinais antifúngicas e antibacterianas.

Os problemas gastrointestinais são os motivos principais para recorrer ao vegetal, segundo tradições medicinais caseiras. Também chamado de marupari, coquinho e marupaí, é utilizado em casos como hemorroidas, diarreia e amebíase.

Com o bulbo de marupari, é possível fazer um chá, popularmente empregado no tratamento de infestações provocadas por ameba, além do combate à disenteria.

Para fazer a bebida, geralmente são fervidos 2 bulbos, cortados em pequenos pedaços, em ½ litro de água durante 15 minutos. Povos da Amazônia costumam recorrer a esta medicação caseira tomando uma xícara dela antes das refeições para tratar diarreia e amebíase.

O princípio ativo da bebida é a sapogenina esteroidal, sendo este composto interessante por suas capacidades analgésicas periféricas e antidematogênicas, entre outras.

Estudos indicam que o coquinho também apresenta ação dilatadora coronária. Em outras palavras, a planta é potencialmente útil tratamento de doenças no coração, e ainda conta com propriedade antifertilidade.

As sapogeninas esteroidais, aliás, são relevantes economicamente, uma vez que são precursoras de muitos esteroides farmacologicamente ativos, tais como o famoso anticoncepcional oral (pílula), além de hormônios sexuais e corticosteroides.

Dependendo da localidade em que é encontrada, a espécie recebe apelidos muito variados: maruphiy, palmeirinha, marupar, marupa-ú, marupari, marupá-piranga, alho vermelho e red garlic (inglês).

Em cidades como Jacupiranga, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo, é famosa como nhambutitana ou jabutitana. Lá, serve tanto para ajudar no tratamento de diversos males quanto para fins culinários. A marupá-piranga pode ser assada no forno ou cozida com sal, por exemplo.

Oficialmente, é chamada de Eleutherine plicata ou Eleutherine bulbosa, seu sinônimo botânico. Pertencente à família Iridaceae, é uma planta facilmente achada na região amazônica.

Existem inúmeros trabalhos científicos no Google Acadêmico na área de fitoterapia citando os princípios ativos da marupari (eleuterol, eleuterina, isoeleuterina, eleutherinona e naftoquinonas) e suas propriedades antibacteriana, antifúngica, antileishmaniose, antitumorais etc.

Atenção: este post tem função de informar. Não substitui consulta e prescrições médicas. Plantas medicinais podem ter contraindicações e interações medicamentosas. Consulte sempre um naturopata ou fitoterapeuta e seu médico antes de começar qualquer tratamento.

Marupazinho: características e curiosidades

Os bulbos em tom de vinho da planta Marupazinho medem entre 20 e 30 cm de altura. As folhas são simples, inteiras, plissadas de forma longitudinal com as da palmeira. A espécie floresce duas vezes por ano, abrindo à noite e ficando exposta por três horas.

Eleutherine plicata é um tipo de planta que facilmente se multiplica por meio de seus bulbos. Devido sua persistência em algumas áreas, chega a ser considerada erva daninha. No entanto, ela faz parte de Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS).

A facilidade de propagação faz com que seja considerada uma praga ou “mato”. No inverno, nas regiões Sul e Sudeste, Marupazinho perde a parte que fica para fora do solo. Ao secar, é hora de ser colhida, e nem precisa de replantio para ter sempre bulbos enterrados no chão.

Acredita-se que começou com os índios o hábito de usar a planta como remédio caseiro para vermes, diarreia e distúrbios gástricos. Mas tudo indica que faltam mais estudos para comprovar os efeitos dela cientificamente.

O que observo em minhas pesquisas: é grande a quantidade de plantas medicinais utilizadas pela população em geral com medicamento caseiro, mas que ainda requer pesquisas mais aprofundadas e amplas.

Alguns benefícios sentidos na prática até chegam a ser validados pelos cientistas, mas outros ainda geram divergências. Na dúvida, consulte sempre profissionais capacitados e experientes.

Sua saúde agradece!

Até breve…

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