Abuta: propriedades medicinais, usos e riscos; planta é tóxica

Abuta ou abútua é uma planta usada pelos indígenas sul-americanos há centenas de anos para tratar principalmente incômodos e doenças que afetam as mulheres. Porém, hoje ela é aproveitada com outras finalidades também. O que não muda é o cuidado com a toxidade dela. Entenda…

O chá feito de suas folhas, cascas e raízes moídas é associado ao combate a problemas menstruais, estancamento de hemorragias uterinas e alívio de dores antes de depois do parto. E ainda: algumas tribos sempre consideraram a Abuta um excelente analgésico e antitérmico oral.

Na internet, há menção à comprovação científica das atividades que os povos indígenas já conhecem bem, ou seja, capacidades analgésica, febrífuga e anti-inflamatória.

Os principais componentes químicos da erva são: óleos etéreos, saponinas, esteróis, alcaloides, triterpenos, polifenóis, politerpenos, substância amarga, tetrandrina e matérias mucilaginosas.

No geral, atualmente, serve de remédio caseiro tradicional (na forma de chá das raízes e folhas) para os que buscam efeitos diurético, emenagogo, expectorante, febrífugo, além de possível solução para menorragia e hemorragias uterinas.

Tudo indica que a planta tem mostrado ação interessante em casos como inflamação nos testículos e disfunções renais, sendo também utilizada para combater males nas vias urinárias e, em especial, cálculos renais.

Na homeopatia, costuma ser eficaz nas cólicas renais e na irritação dos condutos, um incômodo que precede a expulsão dos cálculos ou ocorre depois dela. Outras condições nas quais ela possui eficácia: cistite com intenso esforço para urinar, grande ardência na micção e hidropisia generalizada.

Atenção: este post tem função de informar. Não substitui consulta e prescrições médicas. Plantas medicinais podem ter contraindicações e interações medicamentosas. Consulte sempre um naturopata ou fitoterapeuta e seu médico antes de começar qualquer tratamento.

Abútua é contraindicada para gestantes ou mulheres com suspeita de gravidez, lactantes e crianças menores de 10 anos.

Abuta: características e perigos

Abuta é uma trepadeira com ramos extensos que podem alcançar o topo de grandes árvores. Nativa do Brasil, apresenta folhas arredondadas simples e pequenas flores amareladas. Só que em nosso país existem outras espécies deste gênero com propriedades e usos parecidos.

Então, pode ficar confuso tentar entender – e consumir – a planta sem ajuda de um profissional capacitado. E é até perigoso, como eu sempre destaco aqui sobre ingerir ervas medicinais sem orientação, não é mesmo?

Existe Abuta com apelidos butua, parreira-brava, barbasco, e cocculus, além de nome científico Cissampelos pareira L., sendo estas da família botânica Menispermaceae. E olha quantos outros nomes a planta possui:

  • Dissopetalum mauritianum (Thouars) Miers
  • Cissampelos violifolia Rusby
  • Cissampelos pareira var. haenkeana (C.Presl) Diels
  • Cissampelos nephrophylla Bojer
  • Cissampelos mauritiana Thouars
  • Cissampelos haenkeana C. Presl
  • Cissampelos cocculus Poir
  • Cissampelos caapeba L
  • Cissampelos bojeriana Miers

Existe também Abuta com nome Chondrodendron platiphyllum, cujo alcaloide curine, encontrado nela, seria o responsável pelos efeitos anti-inflamatório e analgésico potentes. Diz-se até que esta variedade está na mira da indústria farmacêutica para produção de remédios.

Entretanto, embora as diversas espécies possam contar com propriedades terapêuticas muitas vezes reconhecidas há tempo pelo uso popular, elas podem ser perigosas. É bom lembrar que pajés, curandeiros e herboristas experientes conhecem as dosagens seguras.

E mais: devido sua toxicidade, a Abuta vem sendo substituída pelo quinino e outros vegetais.

Para você ter uma noção do potencial tóxico deste gênero, da abútua da Amazônia (Abuta grandifolia) é obtido o curare, um veneno utilizado pelos índios para caçar e pescar, uma vez que ele paralisa o animal. Apesar de o “produto” também ser medicinal, é um tratamento que o índio sabe usar.

O chamado “efeito curarizante” é semelhante ao do curare, e corresponde a respostas como: amortecimento das funções orgânicas, dormência, catalepsia e até morte.

Justamente devido a tal efeito, a erva potencializa certas interações medicamentosas. A recomendação é que seu uso seja interrompido no mínimo uma semana antes de a pessoa ser submetida a uma cirurgia com anestesia geral, por exemplo.

Cuide-se!

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